Um dos jogos de Copa do Mundo que mais ficaram na minha memória foi Argentina x Suíça, nas oitavas de final, em 2014.
Havia , naquela altura, a desconfiança de que a Argentina não consagraria Messi da forma que lhe faltava ou vice-versa. Um dilema que ocorreu com outros craques: o de não conseguir replicar com a camisa do seu país, o que faz por clube. Também naquela altura tinha Di Maria voando tanto que a bola passou mais pelos pés dele do que de Messi, e os suíços fizeram rodízio em faltas para tentar parar seu principal talento que é a habilidade para criar.
A Suíça, com um futebol pragmático que vinha desde 2006 quando foi eliminada da Copa do Mundo sem sofrer nenhum gol a não ser em disputa de pênalti, a se destacar por uma defesa forte. Porém podia sair mais por ter um meio com Inler (que qualidade de passe e visão de jogo), Shaquiri (troncudinho que jogava bola) e Xhaka (escalado como o meia ofensivo).
O encaixe da marcação deixou o jogo muito disputado, sem que a técnica deixasse de aparecer. Bastante difícil achar espaço. Ricardo Rodriguez na lateral esquerda tem o mesmo nível alto no apoio, na recomposição e na defesa. Ali foi o primeiro duelo entre Messi e Xhaka, duelo esse que terminou 0-0 e foi para prorrogação.
Num sol de começo de tarde no Brasil, os atletas exaustos pela disputa, mas não deixaram de cumprir seus papéis de não dar espaço. Principalmente para Di Maria que estava inspirado só esperando um mínimo espaço, que quando aconteceu ele guardou no cantinho na saída do goleiro.
Depois da tradicional comemoração de coração com as mãos, escolha da direção de imagem em mostrar Lichtsteiner, lateral suíço, dentro do gol a segurar a rede incrédulo de que a bola tinha entrado no minuto 117. Repito: um dos momentos mais marcantes que vi no esporte.
Para fechar, uma cabeçada da Suíça que bate na trave, volta na canela de um e sai por poucos centímetros da meta... que jogo!
No de 2026, a Argentina tem outro tipo de autoridade. Defende o título e tem um time bem melhor. A Suíça continua com defesa como ponto forte, melhorou o ataque, mas o meio caiu um pouco. Novamente o jogo foi para prorrogação. Xhaka, único remanescente do meio, consolidado no Arsenal por diversas temporadas e com feito histórico de vencer bundesliga invicto com o Bayer, agora á mais um volante, mas um clássico que rege o time, acerta chutes fortíssimos e quase não erra passe. Quando errou, já na prorrogação, e em decorrência disso o Messi disparou na tentativa de 'matar' o jogo, foi ele quem se recuperou e desviou o arremate para escanteio. O modo de correr e cobrir o espaço, o modo que bloqueou a bola de um jogador que pode ser meia ofensivo mostra o quão grande é Xhaka. E fez contra um do mais difíceis de ser marcado.
Esse foi o momento mais marcante da partida porque se trata da essência. Mais do que o golaço de Júlian Álvarez que deu a classificação.
Nenhum comentário:
Postar um comentário