terça-feira, 17 de outubro de 2023

Ramon Díaz no Vasco

 No trabalho que fez no Al Hilal, ficou claro que gosta de um futebol ofensivo e que jogou assim mesmo sem ser o favorito no mundial. Resultado: ficou em 2° colocado, o que é incomum - cada vez será menos - para times árabes.

No Vasco, o início não foi bom. Depois dos primeiros treinos, quem escalou na defesa não era os que o elenco tem de melhor. Pareceu mais querer testar quem foi revelado pelo clube. Apesar da  derrota por 0-2, se mostrou confiante em uma melhora na entrevista.

É preciso contextualizar que o Vasco, com um dos maiores investimentos do ano no Brasil, vinha muito mal e chegou a ser lanterna. Num claro sinal de que num clube com a política complicada, a solução de fora para dentro (da SAF), pode não ter efeitos esperados/prometidos. O time que assim como em outras épocas, não era para disputar embaixo, não conseguia ser criativo mesmo num campeonato que sobressai mais força do que técnica. Era prejudicado por ceder Marlon e Andrey, dois garotos bons de bola, para o Mundial sub-20

A melhora que ele mencionou depois do primeiro jogo  de fato aconteceu, principalmente depois da chegada de Paulinho, grata surpresa,  Medel, raça característica e Vegetti que tem duas coisas que estão faltando para centroavantes brasileiros: raça e finalizações de vários jeitos. Ramon Díaz foi tão ousado que barrou o Marlon e ganhou a primeira assim. Barrou também Gabriel Pec, que estava isolado no ataque e com a melhora do time, subiu de produção. Mas é um jogador identificado com a torcida que o argentino está sabendo usar com as outras peças.

Conforme o time melhorou, depois de vencer o Atlético-Mg e Fluminense, via como obrigação (apesar de isso ser complicado no futebol) as vitórias contra Bahia e Santos, times que ganharam em São Januário no primeiro turno e fazem campanhas ruins. Aí está o problema que pode fazer o Vasco disputar contra o descenso  até o final do campeonato, joga mal fora de casa. Contra o Bahia fez um péssimo primeiro tempo, levou 1-0 e buscou empate no segundo num lampejo do Marlon. E foi goleado pelo Santos.  No meio teve a animadora goleada no Coritiba, mas que deixa o alerta de que tem que ter busca por jogar parecido dentro e fora. 

O time melhorou muito, pelos jogadores não está na disputa que lhe pertence e tem tudo para que se Ramon Díaz continuar, fazer algo bonito na temporada seguinte. Ele que viu de perto no Monumental de Núñez, o gol monumental do Juninho Pernambucano em 1998. Algo próximo disso o faria ídolo.

quarta-feira, 5 de julho de 2023

CBF continua no erro

 Fernando Diniz poderia ser um nome para colocar novas ideias em prática na seleção brasileira. Mais para frente. 

Tem o meu respeito por gostar de um futebol ofensivo, de toques, sem saídas com chutões mesmo com defesa limitada. O que fez na Copa do Brasil de 2019, em jogo de volta Fluminense x Cruzeiro em que precisava de 1 gol para levar para os pênaltis e trocou os zagueiros por outras posições, poucos teriam a audácia de fazer. E deu certo, o gol saiu com 7 de acréscimos. Tudo isso é admirável e inovador no que o futebol brasileiro passa. Um ponto a favor também é que ele vive no Brasil desde que começou como treinador, sabe o que tem acontecido por aqui.

De todo modo, por ora, depois de algumas escolhas claramente equivocadas no Vasco - com a ressalva de que ele chegou durante e com um time que era para subir, mas pela política do clube ficou no meio da tabela na fraca série B - depois de ser mais um na dança de demissões com rápida passagem pelo Santos em 2022, depois de voltar ao Fluminense, fazer o time jogar bem, mas improvisar na defesa um jogador que não deveria jogar pela seleção quando foi convocado (época do início do declínio da seleção) e apesar de isto ser mais uma atribuição de algum auxiliar ou dos próprios jogadores, uma comissão que deixa o quarto árbitro fazer substituição errada... Precisa de mais tempo em clubes. Talvez o Fluminense, com identidade, por diversas temporadas.

Não há problema em treinador estrangeiro, seja dos mais famosos ou não. O problema é ficar subserviente a um treinador estrangeiro e como 'tapa buraco', colocar de interino um treinador que pode chacoalhar para melhor a seleção. Até porque, essa não será tarefa fácil para ninguém. Os melhores jogadores do Brasil, hoje, não têm identificação com o país e isso se soma ao fora do campo também, uma vez que em geral o torcedor brasileiro é acostumado a ver vitórias. Isso vem mudando, mas a visão pequena e que mostra pouco entendimento do jogo, não muda. Algumas derrotas e Diniz provavelmente estará queimando e quando sair, estará queimado para voltar quando estiver com maior experiência de clubes que mencionei.

terça-feira, 20 de junho de 2023

O racismo na Espanha evidencia uma globalização contraditória


Vinicius Junior além de ser, hoje, um dos melhores atacantes do futebol, não se intimida, vai contra o racismo que sofre. Muito novo e já prestou importante papel ao esporte. 

Diante do insulto proferido contra seu funcionário, por ser negro, vindo de um 'segurança' no estádio onde ocorreu um amistoso da seleção brasileira na Espanha, justamente para combater o racismo, vem à tona o que deveria ser debate: Dentre tantos estrangeiros que jogaram/jogam na Espanha, muitos se não são negros, ao menos não são caucasianos. No caso de brasileiros, me vem à cabeça dezenas desde os anos 1990. Se são tão racistas e xenófobos, porque contrataram alguns do mais habilidosos que pisaram em solo espanhol?! 

Para falar do selecionado para jogos internacionais: Marcos Senna passou 11 anos no mesmo clube, se naturalizou espanhol, jogou Copa do Mundo e foi campeão da Euro 2008. Marcos Senna é negro. Que sentido isso pode fazer? Não tinha um branco para jogar no lugar dele?

Para ficar com o Valencia  - que foi o jogo derradeiro em que Vini denunciou e nada foi feito - para ficar com um exemplo da década passada, Miguel foi lateral direito português que passou mais de cinco temporadas no clube. Miguel é negro. Houve nesse tempo alguma injúria racial ou simplesmente por jogar no time, era poupado? No atual elenco há dois jogadores de Guiné e um americano negro. Nos jogos em casa, são vaiados e xingados por serem negros?! O racismo somente vale para adversários, e que se destacam, como o caso de Vini Jr?! Se for um jogador comum, não interessa a cor da pele?! Como funciona o racismo seletivo?! Por que alguns clubes não ficam somente com quem é espanhol?! No Athletic Bilbao, por questão cultural, somente joga quem é nascido no país Basco, e é um dos três clubes espanhóis nunca rebaixados de divisão. No clube que jogasse apenas espanhóis de todo território, teria mais opções, por que não tentam?

Por fim, se alguém que trabalha em estádio, naquele contexto de combate ao que vinha ocorrendo, se sente seguro para dizer que sua arma contra um negro é uma banana, o racismo não tem limite.