Algumas considerações que posso fazer por ter assistido muitos dos jogos.
Grande quantidade destes foram ruins, pouca criatividade, muitos times que param depois de fazer 1-0 e nada tão diferente de anos anteriores, é esse o cenário da primeira divisão do futebol no Brasil faz tempo. E por o Flamengo ter feito algo fora disso ano passado, mexeu com algumas estruturas e fez torcedor ter prazer em ver um time que não é o seu, justamente porque o seu pratica um jogo 'pobre'. As mesmas cartas marcadas que giravam treinando os principais clubes, agora dão lugar, ao menos, a tentativas mais ousadas e cada vez mais com estrangeiros.
Campeonato atípico
Com a pandemia há uma questão importantíssima que muda bastante como o jogo acontece: falta de torcida. Este elemento das arquibancadas é uma das partes mais bonitas do esporte e influencia em maior e menor grau a performance de alguns atletas. O apoio da própria é primordial, mas uns se motivam até mesmo com pressão da torcida adversária quando jogam fora. Inegavelmente o jogo fica mais 'frio' sem os adeptos e isto é um fator que favorece aos visitantes e aos times mais limitados, uma vez que além da técnica não há o empurrão e calor como de costume.
De qualquer maneira, no assunto coronavírus, fica o respeito a todos os envolvidos no dia a dia dos clubes e que enquanto muitos tipos de trabalho podem e estão sendo feitos de casa, estas pessoas estão ali para levar um entretenimento a quem acompanha o futebol. O risco é claro e foram muitos os casos positivos para o vírus nestes meses.
Tem e, principalmente, vai ter também a necessidade de acertar os jogos adiados por motivo de outras competições nacionais ou sul-americanas. O São Paulo, por exemplo, chega ao fim do turno com a possibilidade de ter terminado em 1° por ter três jogos a menos e está em outras duas competições. Isto poderá ser problema na reta final do campeonato.
Treinadores continuam sendo bodes expiatórios. Mais de uma dezena foi demitida e, a impressão que fica, é de que também por isso reclamam muito com a arbitragem durante as partidas. Claro que não são todos, mas esse fato ficou mais nítido com os microfones de TV captando muito mais o que se fala devido a ausência de torcida.
Título
O time do Flamengo não conseguiu converter em resultados como aconteceu com Jorge Jesus, ter o melhor elenco. Domenec precisou de um tempo pra entender as coisas por aqui, o que é normal, mas divergiu do que o português fez ao chegar implementando um ritmo intenso que extraiu o melhor do que tinha. Basicamente, o que foi feito ano passado pelo Fla: temos o melhor time e reservas e vamos jogar buscando gol a todo momento. Neste ano, além das perdas que não foram repostas em Rafinha e Pablo Marí, o time não repete isso apesar de ter envolvido em alguns jogos. No início do campeonato, Gérson e Bruno Henrique jogaram mal, ou seja, dois dos mais importantes no sucesso ofensivo da equipe, o que ocasionou em menos chegadas na frente e principalmente menos jogadas velozes pelos lados com Bruno. Éverton Ribeiro é sempre a possibilidade de uma jogada diferente, mas teve seu auge no Cruzeiro. Arrascaeta é desfalque bastante sentido. A ausência de Gabriel lesionado, não foi tão sentida pois Pedro é melhor jogador.
O Internacional tem um interessante sistema de jogo com Coudet e um jogador que está fazendo muito desequilíbrio no campeonato: Thiago Galhardo passa muito bem a bola, erra pouco, se coloca bem, dá quase sempre toque de qualidade e é efetivo com assistências e gols, da forma que a bola vem, finaliza bem, por isso tem feito também gols de cabeça.
O Atlético-MG teve momentos bons com uma intensidade típica dos times de seu treinador, Sampaoli, que ano passado também disputou na parte de cima. Foram muitos reforços para o ano e o time, no nível jogado aqui, ficou bom com até algumas peças boas para entrar, porém este estilo de jogo com velocidade e de marcação muito alta é difícil de se aplicar mesmo durante um jogo inteiro, mais ainda de um jogo para o outro. Como os intervalos entre os jogos são curtos para recuperar algum tempo de temporada, o time já perdeu ritmo mesmo jogando em casa. Destaque para a movimentação do lateral Guilherme Arana, que por vezes é mais um meia e aparece bem na criação.
O São Paulo fez escolha acertada em não ceder pressão para queda de Fernando Diniz, que é quem faz algo diferente dentre os novos treinadores no Brasil. Além de estar em outras duas competições, fechou a rodada 19 com uma goleada de 4-1, no Maracanã, no temido Flamengo que vinha embalando e começando a mostrar a força do elenco nos jogos. O torcedor tricolor deve esperar um maior resultado, justamente porque o trabalho já é de médio prazo, a partir desse momento porque é um time que também fez jogos chatos.
O Fluminense fez um dos melhores finais do turno, está se desdobrando mas sua principal característica é o posicionamento da defesa e marcação. Não deve chegar.
Descenso
É muito equilíbrio entre os times para se afirmar quais cairão. Muita mudança na tabela acontecerá e nem o Goiás que é lanterna com sete pontos a menos do que o primeiro fora da zona de rebaixamento que é o Vasco, deve ser visto como peso morto. O Bragantino que pelo investimento do patrocinador, muitos esperavam vê-lo na parte de cima da tabela terminou o turno com apenas quatro vitórias. O vice lanterna é o Athlético-PR que está nas oitavas de final da Libertadores. É uma disputa que será mais acirrada do que por vagas em competições do continente.
Destaques individuais
Poucos são os jogadores criativos e com técnica diferenciada no campeonato onde se intitula 'país do futebol'. Os destaques ficam por conta dos já citadas Pedro, com grande poder de domínio, visão de jogo e finalização. Thiago Galhardo que tem mais gols (15) e mais assistências (5). Marinho que é o segundo em gols marcados (12) e empate em assistências (5), está em fase especial, correndo muito pelo time, além da velocidade e habilidades já conhecidas, está cobrando bem faltas. Claudinho do Bragantino é muito habilidoso e chute bem, além de não ser fominha quando vê companheiro bem colocado. Thiago Volpi é destaque no gol, dos cinco pênaltis que foram cobrados contra ele no campeonato, nenhum foi convertido (três defendidos, um para fora e outro na trave.)
Arbitragem
Houve certa melhora nas arbitragens no futebol brasileiro nos últimos anos, mas definitivamente não há preparo para execução do recurso do vídeo (VAR). Falta critério, ficou mais fácil de não assumirem responsabilidades e deixarem para quando a bola sai, para que se veja no vídeo se foi ou não alguma infração. Nesta última rodada, em lance de falta comum, li o lábio de um árbitro que perguntava em seu dispositivo para comunicar se a jogada era para cartão amarelo, quando a arbitragem de vídeo, por regra, só interfere se for jogada para cartão vermelho. Um ou outro árbitro se esforça para que as decisões sejam tomadas de forma rápida, em geral o jogo é moroso.
Muito da cultura, não apenas de como é jogado aqui, como também de nossa sociedade
Me chamou atenção como em quase todo gol, os jogadores de defesa levantam o braço para pressionar pedindo alguma irregularidade, qualquer que seja, fazem isto sem nem saber o que estão pedindo. É somente para tentar anular o gol. Acontece mais ainda com o advento do VAR. Ou seja, atletas profissionais, quando tomam gols que claramente foram legais, preferem pedir para que seja cancelado do que sair com a bola e tentar fazer o seu.