Estava tudo preparado para a festa no Mineirão, depois de o hino nacional cantado novamente a capela por jogadores e torcida com a camisa do Neymar sendo segurada para apoiar o #ForçaNeymar.
Só esqueceram de avisar aos alemães que com tranquilidade, como se fossem os anfitriões, com um padrão tático muito bem aplicado e um futebol preciso e impiedoso, passou por cima de um Brasil completamente perdido. 1 x 7 ficou barato.
Apagão?! Não classifico desta forma, o que ficou claro foi o grande atraso no futebol brasileiro.
Na fase de grupos, na estréia o time apesar de muito nervoso, teve lampejos contra a Croácia em jogo que no primeiro tempo perdeu por completo o meio de campo; fez um jogo fraco contra o México, apesar da grande atuação do goleiro Ochoa; sofreu no primeiro tempo contra Camarões que é um dos piores time da Copa e quase não veio por conflitos com a federação e jogadores inclusive se agredindo em campo na partida anterior.
A defesa até então era o setor mais eficaz com destaque para dupla de zaga e Luiz Gustavo, fazendo quase que um terceiro zagueiro, voluntarioso, o volante do Wolfsburg chegou até a dar assistência para gol. A habilidade de Neymar também foi destaque na primeira fase.
A falta de um padrão tático já era evidente, com a equipe tendo como esperança a genialidade de Neymar, que é gênio sim mas não é milagreiro, e com ligações diretas da defesa, o popular "chutão" que na maioria das vezes não dava em nada. Jogadores como Oscar, Paulinho, Marcelo e Fred, que num passado recente se destacaram, não conseguiram render o esperado. Fred, muito porque a bola não chegava nele. E quando foi substituído, tivemos Jô no comando do ataque...
Basicamente Felipão estava tentando repetir a "família Scolari" que deu certo em 2002, e ganhar só com a força da camisa e da torcida. Uma fórmula que deu certo há 12 anos, pode muito bem não dar de novo e não há torcida que salve um time jogando mal da forma que o Brasil jogou em vários momentos. Nem o velho e controverso "brasileiro com muito orgulho, com muito amor" deu jeito.
Nas oitavas de final apesar de o gol ter saído de uma dividida e foi muito mais contra do que do David Luiz, o time vinha fazendo um jogo correto contra o Chile, que tem um bom time e fez uma boa fase de grupos, tendo conseguido uma vitória improvável antes da competição começar, contra a atual campeã Espanha. Depois do gol de empate chileno, que saiu após falha de Hulk o time do Chile passou a jogar mais e a ser mais perigoso e assim foi até o final do jogo quando com um chute de Pinilla, jogador que passou pelo Vasco na campanha de 2008 onde o time foi rebaixado, acertou o travessão. Para se fazer justiça, aquela bola teria que ter entrado mas o futebol nem sempre é justo. Ficou marcado nas penalidades a desestabilização emocional de Thiago Silva, que mesmo sendo capitão do time preferiu não ver o que acontecia e ficou de costas, sentado em uma bola. A estrela de Julio Cesar brilhou e aos trancos e barrancos lá estava o Brasil nas quartas.A Colômbia, adversário nas quartas, me agradou muito com o futebol que jogou até aquele momento, time com um bom goleiro, boa defesa, time rápido e muito talentoso com Cuadrado e James Rodríguez sempre muito perigosos, é claro que Falcao Garcia fez falta pois é um craque, mas esse desfalque até valoriza mais a campanha que a Colômbia fazia. Eu acreditava na vitória colombiana e até com sobras, diferente daqueles que disseram: "é freguês", "Colômbia vai tremer". A partida foi para o Brasil por 2 x 1 em jogo que foi a melhor exibição do time brasileiro e de certa forma a Colômbia "tremeu" pois não repetiu as exibições anteriores e pode não ter sido mera coincidência. James Rodríguez recebeu algumas pancadas e parece ter se intimidado um pouco mas de qualquer forma não dá pra dizer que foi uma vitória injusta. Ao final, o pior acontecimento possível para o Brasil nesta Copa, Neymar se contundir de forma grave... a única esperança dos brasileiros que conseguiam enxergar que as atuações da seleção estavam ruins.
No tenebroso dia da partida de semifinal o time foi engolido por um time melhor tática e tecnicamente e que se não tivesse "tirado o pé" podia ter feito 10, quem sabe mais no Brasil, o chamado país do futebol e a Copa sendo no Brasil... a escalação do Bernard para jogar aberto na direita contra a gigante (e ótima) defesa da Alemanha ao invés de povoar o meio de campo para tentar amenizar a superioridade do adversário no setor, nunca fará sentido.
O vexame foi tão grande que teve jogador "escolhendo" não fazer gol e passando para o companheiro marcar. Assim que saiu o gol 4 ou 5, ver o treinador brasileiro gritando o Hulk por umas três vezes e depois ficando contrariado porque provavelmente o jogador não olhou, foi deprimente, pergunto o que o Hulk poderia fazer numa situação dessas? É um jogador esforçado sim, mas limitado, tem como único recurso o chute forte, que muitas vezes sai sem direção, não tem futebol para jogar na seleção brasileira em uma Copa do Mundo.
Se não houver uma conscientização de que é preciso haver mudança no futebol brasileiro, em todas as camadas, desde as categorias de base, a tendência é que esse quadro se torne pior, é preciso humildade para reconhecer que os tempos mudaram e o Brasil não causa mais o temor que já causou outrora, parte por ter parado no tempo taticamente, parte por querer viver ainda de um futebol arte que não aparece mais e parte pelo quanto o jogo político da CBF só prejudica o futebol brasileiro como um todo.
Basta lembrarmos que este mesmo time da Alemanha que surrou o Brasil, empatou com Gana e teve um jogo dificílimo contra a Argélia nas oitavas, jogo que foi uma delícia de assistir pois a Argélia não se intimidou e fez jogo, vendeu caro a derrota que só aconteceu no tempo extra, não fosse o Neuer jogando praticamente de líbero para tirar algumas bolas em que o atacante argelino ficaria frente a frente com ele, a história do jogo poderia ter sido outra. O time africano saiu de cabeça erguida. Nas quartas a Alemanha também não teve vida fácil em partida contra a França no Maracanã, 1-0 em jogada de bola parada. A França criou boas chances e na última delas Neuer salvou chutaço de Benzema nos últimos minutos do segundo tempo.
Não há como negar que isso tudo significa que estamos atrasados e é necessário mudanças pra já, resta saber se a CBF está disposta e até mesmo tem interesse em fazê-las.