A pergunta sobre se o filho de Tite ser auxiliar na seleção não representa contradição com questões éticas que o treinador diz ter é boa, porém não se pode atribuir o mal momento do time a esse fato. O clamor público pedia Tite no cargo e ele continua sendo o melhor brasileiro para a função.
O futebol apresentado pela seleção não vem bem de antes, é claro, de Tite. No panorama a partir de 2002, ano do último título de Copa do Mundo, o Brasil apostou na volta de Parreira para 2006 com um bom time, as convocações não eram contestadas, mas o futebol acabou sendo pragmático. Para citar um exemplo, Robinho não se confirmou como um jogador que ficaria por anos em alto nível. As eliminatórias no fim dos anos 2000 passaram a não ser mais aquele passeio nos times menores. Então, a péssima escolha de Dunga para ser convocador a ponto de ir até a Copa de 2010 com Felipe Melo de titular...
Depois de escolha ruim de Mano Menezes, a volta de Felipão numa espécie de querer reviver o último sucesso - a CBF deveria saber que futebol não funciona assim - apesar do cenário favorável por jogar em casa, o time, ops, o bando jogou mal e a ideia de 'família Felipão' foi pelo ralo com um 1-7 para uma Alemanha que tirou o pé e mostrou como o futebol mudou. Não adianta justificar com a ausência de Neymar, o time foi mal em todo o torneio.
Então a volta de Dunga (que ainda não tinha nenhum trabalho relevante em clube) prova pra quem ainda tinha dúvidas, a patota da Confederaçao. Até que em tempo de fazer algo até a Copa de 2018, Tite, com bons trabalhos recentes no Corinthians, incluindo título mundial, é apontado.
A equipe começou a tomar forma, e os chamados para a Copa supriam expectativas, com poucas exceções. Mas a seleção teve pela frente toda a dinâmica que é o esporte atualmente, e com bons jogadores e um craque, que parecia imaturo para esse responsabilidade quatro anos antes, conseguiu chegar ainda mais imaturo, não desequilibrando. Ao contrário, foi motivo de devidas gozações.
Fator preponderante para o declínio é o distanciamento da CBF e consequentemente da seleção, da massa brasileira. Poucos jogadores estão no campeonato nacional e quando há jogos, os ingressos são caros. Não há identificação entre as partes, um pouco mais do torcedor pelo futebol ser o que é no país.
Certo que Tite não está renovando - apesar de a geração que chega não ajuda - nem inovando com os que levou. Na Copa América 2019, tem uma boa chance de ser eliminado pelo Peru (pela segunda vez seguida). E não é o filho de Tite o fio da balança. Fosse outro treinador, dos que temos aqui, com filho na comissão ou não, poderia ser pior.
Nenhum comentário:
Postar um comentário