Mais uma vez provado que o futebol está mudado. Não adianta serem apontados como favoritos os selecionados dos países tradicionais, nem mesmo dos países que já levantaram a taça. Holanda e Itália não terem conseguido se classificar é indício disso.
Bem como a Croácia chegar na final - com grandes méritos - depois de se classificar na repescagem e com um treinador que assumiu pouco antes desse desafio.
O Brasil conseguiu se reestruturar com o Tite, que trouxe padrão de jogo e pareceu que havia resgatado uma vontade de bola que não se via há tempos nos momentos de mais alta competição. Só pareceu. Sem deixar de reconhecer o trabalho, e a defesa que foi bem, faltou ousadia para mudar o time durante os jogos. Mas o que chama mais a atenção, e isso nenhum técnico pode fazer por um time: falta vestir a camisa e jogar como quem representa uma nação, sabe lá até quando, chamada de 'país do futebol'.
Dos anos 2000 em diante, os atletas passaram a ganhar mais dinheiro e uma certa 'globalização' atingiu em cheio o Brasil que, terceiro mundo, não pode fazer parte desse processo de outra maneira se não fornecendo cada vez mais cedo, os melhores de seus jogadores para a Europa.
Esse enfraquecimento do futebol brasileiro e da seleção é consequência do distanciamento da CBF ao povo, a grande massa. Não sei o verdadeiro motivo do Mário Fernandes ter escolhido não jogar pela seleção, mas teria vaga certa comigo nessa Copa. Nenhum jogador se manifesta sobre o momento político do país. Não tão difícil de entender quando 20 dos 23 vivem no exterior. Porém, isto não pode ser visto como a melhor postura, porque o futebol pode fazer o papel de representação da imagem do Brasil para o mundo, o que de fato conquistou ao longo da história com os craques.
O que não é legal é, na era da internet, o craque ser Neymar.
Somado a isso, o futebol se torna cada vez mais marcação, é preciso jogar com pouco espaço e quando se tem Neymar, que tem estrelismo mais de astro do que de jogador, a ponto de ser colocado - sem nenhuma condição - como capitão, mostra que precisa-se rever muitos conceitos para, humildemente parar com o discurso do 'somos penta', de criar, por parte da torcida, música do hexa e saber que para suceder no que o futebol vem se tornando, já que não é possível competir economicamente com a Europa e até a China recentemente, tem de se fazer trabalho sólido desde a divisão de base, sem intenção de perder a técnica, mas trabalhando na cabeça dos meninos que é preciso ajuda nos preenchimentos de espaço no jogo, sem vaidade. É preciso entender mais o jogo, uma vez que ele é cada vez mais estudado. Isso não acontecendo o quanto antes, vai restar ao Brasil ser o país dos memes de seu time e dos outros e se limitar a uma soberba que vai se tornar cômica. Já tem os escândalos da federação e suas patotas, já tem o 7-1 em casa, já tem a estrela que não pode ser tocada... pode piorar.
O Uruguai, que tem clube da primeira divisão com pouquíssima estrutura, como de praxe jogou com coração e saiu nas Quartas de final para a França, que amanhã faz a final. Destaque para cena inédita de Jimenez, que chorou antes mesmo do fim da partida, já sabendo da iminente eliminação.
Se juntar o valor de muitas coisas do campeonato nacional da Croácia, não se chega aos preços estratosféricos pagos pelos jogadores mais valorizados do planeta. Isso é muito grande. A concentração, espírito de equipe e entrega ao jogo dos croatas falta, e muito, ao time do Brasil. As crianças, filhos e filhas dos croatas, entrando em campo e batendo bola depois da classificação para a final é a essência do esporte... jogar com sensação de liberdade que só uma criança pode ter.
Foto: Shaun Botterill/Getty Images
Essa é a maior arma do país de apenas 27 anos, para vencer uma França que tem no seu maior destaque um jogador que até pouco tempo era também uma criança.

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